Blog10 de junho de 2024

Programação, matemática e formular o problema

Marcos Conci
Programo há bastante tempo, e quanto mais aprendo sobre isso, mais percebo sua influência sobre como eu penso. Programar não tem apenas o poder de resolver problemas. Tem o poder de formulá-los — e essa é a parte que passei a valorizar mais. Uma das dificuldades mais fundamentais em qualquer área técnica não é responder a uma pergunta. É chegar a uma pergunta precisa o bastante para poder ser respondida. Todo problema precisa primeiro ser enunciado de um jeito que possa ser entendido, decomposto e trabalhado. Um problema vago produz trabalho vago. A prática de programar, como a matemática, força uma espécie de disciplina mental contra isso: você não consegue escrever a função enquanto não souber o que ela recebe e o que devolve. Você começa a quebrar o todo em passos sequenciais, cada um dos quais se sustenta ou não. Essa disciplina se transfere. Uso ela em coisas que não têm nada a ver com código — quando um processo está falhando e ninguém sabe dizer exatamente como, o primeiro movimento útil quase nunca é uma solução. É uma definição. Recomendo a prática a qualquer pessoa, não só porque é um campo profissional grande, mas porque é um treino incomumente bom para pensar com clareza.
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