Projetos23 de março de 2026

Encontrando alvos de intervenção no comportamento de descarte de resíduos orgânicos

A maior parte dos resíduos orgânicos de domicílios e pequenos negócios em municípios brasileiros de médio porte vai para a coleta pública comum, sem nenhum reaproveitamento. Programas de compostagem e coleta seletiva existem, mas a adesão continua baixa — e a distância entre o que as pessoas dizem acreditar e o que de fato fazem não tinha sido examinada quantitativamente nesta região. Este foi um projeto interdisciplinar na Unochapecó entre Ciência da Computação e Engenharia Química, aplicado a dados de questionário em Chapecó, cidade de aproximadamente 230 mil habitantes. A Engenharia Química trabalhou nos processos físicos de reaproveitamento; meu lado era a pergunta de se as respostas do questionário conseguiriam identificar quem abordar e o que de fato prevê comportamento. Trabalhando com 161 respostas de uma fase preliminar de coleta:
  • Clusterização para encontrar perfis naturais de geradores, o que produziu três grupos: Indecisos (55), Engajados (52) e Potencial latente (45).
  • Dois modelos de classificação, um prevendo o destino do resíduo e outro prevendo se a pessoa já havia tentado reaproveitar.
  • Análise de importância de variáveis para identificar quais variáveis do questionário carregavam sinal real.
O modelo de destino falhou — AUC 0,50, nenhuma capacidade preditiva. Isso é um resultado, não um revés: diz que o destino do resíduo é determinado por fatores externos como infraestrutura de coleta e acesso a alternativas, e não por algo mensurável sobre o indivíduo. Reportar isso com honestidade importa mais do que descartar em silêncio. O modelo de tentativa de reaproveitamento teve desempenho moderado: AUC 0,76, 74% de acurácia. O comportamento de reaproveitamento está associado a fatores internos — percepção, interesse, disposição para agir — e a variável mais importante foi o potencial de reaproveitamento atribuído ao respondente. A descoberta útil veio de combinar os dois. A análise identificou 18 pessoas com perfil favorável ao reaproveitamento que nunca haviam de fato tentado, e 100% delas diziam acreditar no reaproveitamento. Esse subgrupo é o alvo de intervenção mais claro do conjunto de dados: a crença já está lá, então a barreira é outra coisa — e endereçá-la corresponde a uma estimativa de 6.786 kg de resíduo orgânico por ano. O projeto é open source, documentado em português. Ver o código no GitHub

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